Deixei-me aprisionar pelas correntes
marítimas que tem o teu olhar.
São mais fortes que tudo o que pressentes
que de algum modo me pode alegrar.
Um guerrilheiro armado até aos dentes,
terrorista sem causa nem lugar,
eis que transporto às costas entrementes
as ondas que se soltam do teu mar.
Mas não me queixo, não me vou queixar
das gaivotas, das algas, das marés
que preenchem o curso dos teus dias
e me prendem e enlaçam no colar
que se desenha à volta de quem és,
sobre a praia das nossas alegrias.
Torquato da Luz
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